Enfeite seu coração! Automaticamente estará enfeitando você! Heloísa Lugão

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O castigo



Anne se colocou de castigo, do jeito que as coisas iam não davam mais. Foram erros atrás de erros, emendou amores atrás de amores e decepções atrás de decepções. Chegou à hora de parar, respirar, ficar um tempo sozinha, tentar encontrar a verdadeira paz. Estar nessa fase não seria nada fácil, era ela por ela. Ninguém poderia fazer nada por ela, ninguém ia resolver esses problemas internos que refletiam o externo por ela.

Era diminuir as saídas, se afastar de algumas pessoas, mudar a rotina para que a vida mudasse. Era sair e apenas se divertir, sem muitas bebidas. Era pensar muito. Tentar encontrar onde estavam os erros. Tomar novas decisões. Ter novas escolhas.

A primeira coisa que a moça decidiu é que não queria mais aventuras. Chega! Aventuras ela já viveu demais. Ela gostava de adrenalina, mas agora ela queria estabilidade, segurança e um cais. Ela queria sentir outro tipo de frio na barriga e coração batendo acelerado.

Viveu uns dias sombrios onde trancou-se no quarto e ficava a pensar. Não se engane, ela não está triste e nem chorona, ela apenas queria pensar e chegar a pelo menos uma conclusão. Queria também criar sonhos novos, ter novos projetos e todos eles queria que fosse em segredo. Não queria sair espalhando por ai. Queria novas surpresas.

Outra decisão que tomou foi em relação a algumas pessoas. Não trocou a ordem delas em sua vida. Simplesmente, as excluiu. Tem gente que não acrescenta nada em nossas vidas. Tem gente que não faz sentido ter em nossa vida. Tem gente que infelizmente só faz mal pra gente. Ela não quer mais isso. Pegou o celular e foi excluindo alguns vários contatos. As pessoas também não merecem que as procuramos somente quando estamos em momentos de carência.

Algumas pessoas não entendiam esse afastamento e nem essa idéia que Anne tinha de querer ficar sozinha. Tem gente que não entende que às vezes a melhor companhia é a nossa. Que muitas vezes essa melhor companhia nos faz falta.

Anne é cercada de pessoas, seu celular está sempre apitando, mas às vezes se sentia sozinha. Tinha ali seus garantes que lhe davam momentos bons, e mesmo assim se sentia vazia. Tinha milhares de amigos e mesmo assim sentia falta de alguma coisa. Ela sentia falta dela mesma. Sentia falta de estar em paz consigo mesmo. Falta de poder pegar um livro e ficar ali com o pensamento focado no livro. Falta de passar um final de semana todo em casa de pijama. Sentia falta da sua paz e foi por isso que se colocou de castigo.

A moça muitas vezes acordava e sentia um vazio, uma vontade de ter alguém de verdade. Hoje ela acordou e não sentiu falta de ninguém, talvez ela esteja aprendendo a amar direito. Amar direito é quando a gente se ama em primeiro lugar. É quando paramos para cuidar de nós mesmos. Quando nos damos colo e carinho.

Ela estava com calma e paciência. Sabia que suas respostas não sairiam do dia para a noite, ela tinha todo o tempo do mundo, ela só quer as respostas. Pode demorar, não tem problema. Ela quer sair nova dessa fase.


Heloísa Lugão

terça-feira, 3 de junho de 2014

A sua indecisão


Ainda não sei o que você decidiu, porém quero que saiba que não tenho a vida toda para suas indecisões. Te pedi pra ficar. Disse que quero ficar, mas já estou cansada de esperar.

Dói esperar um telefonema seu, um aviso, qualquer sinal de fumaça.

Estou cansando. Tomei uma dose de coragem e comecei a arrumar minhas coisas. A outra dose de coragem vou tomar quando decidir ir embora.

 No fundo estou à espera de você vir atrás e me pedir para que eu não vá embora. Como aquelas cenas de filme onde a mocinha sai pela porta e o mocinho vai correndo, ele segura nos braços dela, a vira, eles se olham e se beijam e pra ficar mais sexy no meio do beijo ele a pede pra ficar e eles voltam a se beijar. Era isso que eu queria!

Quero seu olhar sobre mim. Sua decisão. Sua segurança. Sua mão na minha nuca e sua boca na minha. Sua barba passando no pé do ouvido. Pode também me agarrar pela cintura e dizer que nunca mais vai me soltar. Pode sorrir pra mim. Ligar de madrugada. Deixar que eu seja seu romance, seu sexo, seu sentimento, sua amiga.

E pelo visto não acontecer nada disso. Pelo jeito você não vai decidir nem tão cedo como me quer. Talvez você se decida quando eu for embora. Quando olhar para o seu celular e não ver nenhuma mensagem e nem ligação minha. Quando você me ligar e eu não te atender. Quando vier me procurar e eu simplesmente sumir. Quando eu já estiver longe. Quando eu estiver nos braços de um alguém seguro e que saiba o que quer de mim.

 Mas o que mais quero que saiba é que se eu for embora, não volto mais.


Heloísa Lugão

domingo, 1 de junho de 2014

Dica de filme: Sob o sol de Toscana


O público alvo do blog são pessoas que saíram de um relacionamento e/ou estão recomeçando a vida em alguma área. Recebo vários emails de pessoas que querem recomeçar e a grande maioria quando procura o blog é porque terminou um relacionamento. Nas próximas respostas de email vai de brinde a dica do filme que vou falar.

O filme conta a história de uma escritora, feliz e bem sucedida Frances Mayes (Diane Lane) que é surpreendida com um pedido de divórcio. Como todos nós quando terminamos um relacionamento ficamos perdidos e não sabemos por onde começar. Contudo, Frances ganha de um casal de amigas uma viagem para Toscana na Itália com um grupo de gays.

Durante a viagem a escritora vê um anúncio de venda de uma casa de 300 anos, caindo aos pedaços, enorme. Tentada e pelo impulso ela compra a casa. Outro país, sem seus amigos, outra tradição, outra língua e assim ela recomeça a vida.

Começa a reformar sua casa, faz amigos, tem momentos de solidão, tem uma forte ligação com a fé, chora e continua.

O filme traz as belas paisagens da Itália (o que aumenta mais ainda a vontade de conhecer) e umas frases que instiga a um pensamento mais aprofundado no que está acontecendo atualmente em nossas vidas.

Frances tinha alguns sonhos que queria realizar naquela casa e realizou, porém não do jeito que ela queria e ela nem percebeu. Quantas vezes em nossas vidas queremos algo, conseguimos e nem percebemos a vitória? O motivo disso é que estamos tão focado nos mínimos detalhes e que se não for daquele jeito não era o que queríamos. Muitas vezes conseguimos o que queremos, mas não do jeito que gostaríamos. Talvez recebemos melhor do que gostaríamos, mais do que pedimos. O filme relata sobre as surpresas boas da vida.

Muitas vezes pequenas coisas são de grande significado.

Um dos trechos que mais me chamou atenção foi esse:

“Entre a Áustria e a Itália, há uma parte dos Alpes chamada Semmering. É uma parte incrivelmente difícil de subir, muito alto das montanhas. Eles construíram um trilho nestes Alpes para ligar Viena e Veneza, mesmo antes de existir um trem que pudesse fazer a viagem. Mas eles construíram porque sabiam que, algum dia, o trem chegaria.”

E chega. Quando acreditamos as coisas boas acontecem.

E no amor? Frances procura um amor e acaba encontrando, só que no fundo ela não estava preparada para o tal amor. Foi atrás, se esforçou, procurou, pensou e não foi dessa vez. E ai que entra a história das joaninhas “quando era criança ficava procurando as joaninhas no jardim, um dia dormi no jardim e vi uma joaninha sobre mim”. Felizmente ou infelizmente no amor é assim, quanto mais você procura menos encontra. Enquanto você não cuidar do seu jardim nem borboletas e nem joaninhas irão chegar no teu jardim.

O que mais gostei no filme e devido alguns acontecimentos recentes foi a coragem de Frances ao fazer uma mudança radical e isso me deu ânimo também para realizar uma mudança radical.

Bom, espero que gostem do filme fica ai uma boa dica pra vocês.

“"Arrependimento é perda de tempo. É o passado torturando você no futuro..."”

Heloísa Lugão





sábado, 31 de maio de 2014

Quando a gente para

Tem horas na vida que precisamos cuidar menos dos outros e mais de nós mesmos. Tem dias que precisamos de colo, do nosso colo. Tem fases que precisamos parar, dar um tempo e Anne estava decidida a parar.

Anne desde que terminou com o Chico Bento do Gu emendou um amor atrás do outro e talvez até tenha se esquecido do seu próprio amor. Foram vários na tentativa de esquecer Gu, de não querer ficar sozinha, de estar carente.

Determinou a parar e a esperar até que alguém que realmente fosse bom e valesse a pena a tiraria de casa para um cinema no fim da tarde de domingo, uma pizza na sexta. Cansada, Anne estava cansada de ciladas, pessoas que não valem tanto a pena para se preocupar.

De todas faltas e saudades que sentia a que a moça mais sentia era a falta dela mesmo. Dela pra ela.

O tempo para o coração foi dado. A ordem é arrumar a bagunça que está aqui dentro.


Heloísa Lugão

terça-feira, 27 de maio de 2014

Eu gosto é do estrago


O dia poderia ter sido normal se Anne parasse de pensar naquele rapaz da noite anterior. Mas ela não conseguia.

O cheiro dele, cheiro de perfume barato que a fez torcer o nariz parecia que tinha grudado nela. Grudou no pensamento dela. Ela sentia o cheiro dele por onde passava.

E o beijo que ela ainda sentia o gosto. O beijo bateu de primeira. Não precisou de detalhes para acertar. Foi encaixe perfeito. Beijo que ela ficava sem fôlego.

As mãos dele quando a tocavam, o abraço que ele dava. Ela ainda pensava em tudo que aconteceu naquela noite um tanto que perfeita para ela. Ria sozinha ao lembrar-se do que aconteceu.

Não precisou de muito, houve química de primeira.

Ele não era perfeito, era cheio de imperfeições, mas quem disse que o perfeito é bom? Anne gostava do estrago, do estranho, de frios na barriga e ele a proporcionou tudo aquilo em poucas horas.

Ela só queria mais, mais oportunidades, mais vezes, mais ele, mais beijos, mais perfume barato, mais estragos, mais imperfeições e muito mais frios na barriga.


Heloísa Lugão

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Não era mais flor

Há alguns dias Pedro e Anne voltaram a se falar. Ele passou a procurá-la e ela voltou a atender.
Naquele dia eles conversaram o dia todo e no final ele a chamou para uma volta e ela acabou indo.
Conversaram muito (coisa que ele não é de fazer), riram, brincaram e se beijaram.
Anne ficou a procura do frio na barriga que antes sentia por ele. Não o achou mais bonito, achou ele gordo e o beijo não era como o esperado.
Foi legal estar na companhia nele, mas não foi aquilo tudo que ela esperava.
Percebeu que quando deixa de ser flor já era. Para a moça flor quando morre não floresce mais.
Ela percebeu que não gostava dele. Precisava tirar essa dúvida. Não era sentimento, era posse. Posse, pois ela ficou um bom tempo só com ele e ele tem tudo que ela gosta em um cara. Ela já tinha o colocado no topo da pirâmide dela e agora ele era mais um.
Aquele beijo não era mais o melhor beijo do mundo. Era um beijo normal, como os outros.
Ele foi fofo, agradável, simpático a noite toda e ela não sentia o que sentia antes por ele.
Pedro a surpreendeu, mas ela não queria criar expectativas. Anne não confiava em Pedro, naquela noite mesmo ele entrou em contradição. Descobrirá umas mentiras e conheceu mais a fundo quer era o tal cara.
Algumas recaídas são necessárias e ela precisava dessa recaída para chegar a uma conclusão.
Não era nada daquilo que ela queria para ela. Ela só quero o que é verdadeiro, recíproco e o que lhe dê frio na barriga.
Pedro realmente já não era mais flor.

Heloísa Lugão


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Lembra



Lembra

Lembra de quantas noites viramos e vimos o sol nascer lá do alto daquele morro?
Lembra de daquele dia que resolvemos molhar nossos pés naquele rio?
Lembra de quantas vezes juramos que seria eterno?
Lembra de quantas vezes nos falamos que éramos o sorriso um do outro?
Lembra de das nossas aventuras?
Lembra dos telefonas no fim da tarde?
Lembra das músicas que cantava pra mim?
Lembra dos olhares que me dava?
Lembra do beijo inesquecível?
Lembra das confidências que fazia?

Eu lembro de tudo e mais um pouco. Lembro com detalhes.
Lembro também que hoje faz um ano que soltei da sua mão.
Que decidi que o meu sofrimento poderia lhe trazer felicidade e paz.
Ai se eu pudesse mudar o destino.
Pensei que um dia fosse te esquecer, mas já tem um ano e você ainda é uma parte bonita de mim. Você ainda me faz dar sorrisos no meio do nada.

Sei também que você ainda não me esqueceu pelos olhares que me dá.
Por estar sempre por perto.
Por dizer que ainda sou sua amiga.

Não pense que fui embora porque não gosto de você. Fui embora para que você tivesse paz e alegria, mesmo você dizendo que eu era a sua paz e alegria. Não pense que fui embora sorrindo, fui chorando. Chorei por muito tempo e sinto sua ausência até hoje.
Não foi fácil pedir para que parasse de me ligar, foi apenas uma tentativa frustrada de esquecer você.


Um ano e você é a lembrança mais bonita da minha vida. O sorriso mais lindo. O olhar mais atraente e a pessoa mais humilde.

Heloísa Lugão

domingo, 11 de maio de 2014

Ele foi e as borboletas chegaram



Ele se aproximou e disse:
- Vou embora!
Ela
-Pra onde?
- Não sei, só sei que vou sair da sua vida.
- Mas por que?
- Porque não te faço ter borboletas no estomago e nem frio na barriga.
- Ta lendo muito meu blog.
- Sempre leio. É dali que sei realmente quem você é. Foi ali que me apaixonei mais por você.
- Mas eu gosto de ficar perto de você. Eu gosto de estar com você.
- Mas eu não te causo frio na barriga, borboletas no estomago. Nesse tempo todo não consegui isso, não seria agora que conseguiria.
- Mas você me causa outras coisas bonitas.
- Concordo, mas estou apenas servindo para você esperar o tal cara que te cause frio na barriga.
Ele virou-se e foi embora e eu... Senti borboletas no estômago



Heloísa Lugão

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Flor quando perde o cheiro


Aquela flor não se tem mais o mesmo cheiro, alias, não se tem cheiro. Talvez seja pelo fato dela ter buscado novas flores, com novos cheiros em outros jardins. Ou também por ter desistido daquela flor. Ou por ter enxergado que aquele cheiro não é o que ela quer.
Aquela flor já tinha perdido sua beleza, seu cheiro e depois que isso aconteceu a procura em novos jardins aumentou. Mas o que a moça queria mesmo era uma flor com um cheiro diferente, aquele cheiro que lhe dava frio na barriga, pernas tremulas e os sorrisos no meio do nada.
Ela estava cansada de amores remendados, ela só queria um amor inteiro.
Resolveu dar um tempo nos amores e passou a voltar a cuidar do seu jardim.
Com seu jardim mais florido, cheiroso e cheio de borboletas tudo em volta dela está mais florido, menos uma nova flor.
Ela já tinha perdido o olfato para as flores. Na verdade ela já tinha perdido todos os sentidos nas flores. 
Queria uma flor para fazer carinhos, sentir o cheiro, apreciar sua beleza, ouvir seu barulho em silêncio e beijar.
Não se sabe o que  pior e menos dolorido: quando uma flor perde o cheiro ou quando não se encontra uma nova flor que lhe traga um bom perfume.

Heloísa Lugão

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Uma tequila e um convite



Anne sabia que iria encontrar com o Gu na festa do final de semana, sabia que iria olhar naqueles olhos lindos.

Quando chegou na sexta a festa com seus amigos a primeira pessoa que viu de longe foi Gu. E mesmo de longe sentiu suas pernas tremulas, frio na barriga e o coração querendo sair pela boca.

Automaticamente ela passou por ele e ele como sempre parou para vê-la passar. Sua amiga comentou:

- Ele ainda para para te ver passar. Ele não disfarça perto de ninguém o interesse dele por ti.

Ela sabia daquilo, riu e foi para o bar. Queria beber para esquecer que ele estava ali, esquecer que ela não o teria naquela noite.

Entre cervejas e alguns drinks ela se perdia em meio de seus pensamentos ao olhar para ele que cada vez mais se aproxima de onde ela estava. Ela ria sozinha lembrando das coisas que entre os dois aconteceu.

Perguntava-se como aquele rapaz ainda mexia com toda estrutura dela. Olhava para o caipira e se perguntava o que ele tinha. Ele é totalmente fora dos padrões dos caras pelo qual ela se interessa. Mas no fundo ela sabia que ele tem tudo que mais gosta: jeito simples, sincero, alegre, engraçado e humilde.

E o Pedro? Mas quem era Pedro naquele dia. Na verdade Pedro sempre foi à coisa de pele, toque, tesão. Nunca foi amor.

Ele ainda conseguia ser único. Conseguia fazer com que ela sentisse o que nenhum outro cara a fizesse sentir durante toda essa vida.

Depois de um bom tempo uma amiga a chamou para ir ao banheiro e as duas foram. No meio do caminho Anne encontrou com um amigo e com Gu. O amigo as chamou e ficaram brincando com Anne falando de seu aniversário que se aproxima. Gu foi tão audacioso que a chamou de velha.

O amigo chamou Gu e Anne para uma foto e os três se abraçaram. O amigo ficou no meio e os dos no extremo. Quando se abraçaram Gu começou a alisar e apertar o braço de Anne. A foto foi batida e os olhares se cruzaram profundamente. Anne foi ao banheiro.

A festa continuava e Anne em um nível alcoólico maior tomou coragem e ao passar por Gu disse:

- Eu quero você! Sei que nunca mais vou te ter, mas mesmo assim ainda quero você.

Ele parou e olhou com a cara de espanto e ela seguiu caminho.

Todas as vezes que Anne olhava para trás ele estava lá só a observando e vigiando seus passos.

A festa acabou e cada um foi para sua respectiva casa. Se ele ligou pra ela, ela ainda não sabe já que o celular ficou sem bateria naquela noite.

A festa continuou no sábado. Eles se viram, trocaram olhares, ele seguindo cada passo dela.

Beberam, beberam com seus amigos.

Anne resolveu tomar uma tequila com os amigos. Ao chegar lá ela dá de cara com o Gu e ela a chama para beber uma tequila e começa:

- Vem cá, vem tomar uma tequila comigo.

- Tudo bem. Moço 4 tequilas por favor.

Tomaram e foi pagar. Os amigos pagaram 2 e sobrou a tequila de Anne e Gu. O moço cobrou mais 3 além das 2 restantes e ela questionou:

- Mas moço só faltam 2.

- É que ele tomou 3 antes.

- Gu, bebeu com quem?

- Com aquelas 2 meninas ali.

- Quem são?

- Não sei, não conheço.

E ai a discussão deu inicio

- Fica me vigiando, mas fica ai pagando bebidinha para suas negas.

- Para de bobeira, to bebendo para te esquecer.

- Ainda bem que amanhã vou embora.

- Por que não fica amanhã?

- Vou sair com uns amigos. Vou para uma balada, beber todas e pegar pelo menos uns 10 caras.

- Vai lá. Te dou 25 caras. Vai beijar todos eles pensando em mim.

E ali continuou sem ninguém entender nada. Ele a acalmou e pediram 2 caipirinhas.

Ao sair dali ela a puxa pelo braço.

- Vai lá e diz para as meninas que você vai sair e para Clara deixar a porta da casa encostada porque hoje você vai demorar. Vou pegar meu carro e te encontro no estacionamento.

E lá foi ela, correndo dar o recado para as amigas.

Encontrou com ele e entrou no carro.

Pararam se olharam e beijaram. Meu Deus, como o beijo dele é bom. Como a pegada dele a deixava louca.

- Para onde vamos Gu?

- Para onde sempre vamos.

Lá no alto do morro era o local deles. Eles diziam que por ser alto e por estarem juntos eles ficariam mais próximos do céu.

E lá foram eles para mais uma noite de céu estrelado, frio gostoso, um vinho que ele levou e um amor deliciosamente vivido.


Heloisa Lugão

quarta-feira, 30 de abril de 2014

26 Primaveras

Esse ano será diferente: sem crises, sem medo de ficar velha, sem lamentações, sem choros por aquilo que não se tem e sim agradecer a tudo que tem.

 Sexta-feira fui dormir com Ana Clara (minha afilhadinha que tem 5 anos), no sábado pela manhã acordei com ela fazendo carinho no meu rosto. Parecia que queria me acordar, mas que também queria ficar ali fazendo carinho. Senti um amor tão forte, tão puro e de extrema raridade.

Depois de isso impossivel reclamar da vida e não agradecer.

São 26 primaveras, 159782364852561 de sonhos, gargalhadas constantes, choros raros, alegria eterna e infinita e muita, muita gratidão.

Não reclamar de nada apenas agradecer. Agradecer a Deus o que me tirou, me livrou, me deu. Pelos choros, pelas barras pesadas que enfrentei, pelos obstáculos que superei, por ter me mostrado que meu limite é maior do que pensava.

No momento me sinto a pessoa mais amada e adorada do mundo e acho que esse é o melhor presente que Deus me deu. Saber que tem gente que quando precisa sorrir me procura, quando precisa chorar me procura, quando precisa de colo vem correndo, quando precisa de tapa na cara vem também.

Talvez esse sentir-se querida por todos seja apenas uma forma de Deus retribuir toda a gratidão que tenho por Ele.

Claro que senti falta de uma pessoa que nunca mais irei ver e dos que estavam distantes.

Foram tantas demonstrações de carinho e afeto que foi impossível não se emocionar.

Não meu amigo, minha vida não é cor rosa como todos pensam. Já chorei muito e ainda choro, mas desde o dia que aprendi a não dar casa, comida e roupa lavada para a dor ela vem e vai embora rápido.

O maior aprendizado dos 2.6: sorrir querendo chorar; sorrir sempre! Agradecer mais e mais.


Heloísa Lugão

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A música


Era madrugada fria e estávamos juntos. Mágico, sim, como tudo que aconteceu.
Lembro-me quando colocou aquela música e dizia que seria a nossa música.
Perguntei quem cantava e você respondeu, exclamei “putz deve ser cafona”.
Quando começou a tocar você cantou e começou a chorar.
Lindo!
Claro que amei a música.
Sei cantar ela toda.
Acho que nunca prestei tanta atenção em uma música como prestei nessa.
Fizemos juras de amor.
Que mesmo que acabasse sempre íamos lembrar um do outro.
E assim seguimos.
Distantes, mas sempre lembrando um do outro.
E depois de algum tempo ainda lembro dela, de você, de tudo que aconteceu...

Marcou.
Foi bom.
Fui muito feliz.
Foi intenso.
Surreal.
Pena que acabou.
Agora só tenho lembranças,
Saudades.
Olhos brilhantes
Sorriso lindo.
Posso dizer que já amei alguém...

Mas acabou
E saber que você hoje está bem me deixa bem e feliz

A música
A nossa música

Lembrança boa é aquela que lembramos e sai um sorriso
Algumas gargalhadas bobas
E é assim que estou agora
Feliz por tudo que vivi com você Capial ( rs)

Heloísa Lugão



Deixa eu te amar
Edson e Hudson

Por que você me olha assim?
Qual o seu medo?
Alguém já te fez sofrer?
Qual o seu medo?
Diz pra mim

Se por amor já veio a sofrer
E agora tem medo
De amar e se envolver
Qual o seu medo?
Diz pra mim

Sei que palavras não vão adiantar
Se o coração não quer acreditar
Confie em mim, não vai se arrepender
O que eu mais quero
É não te ver sofrer

Amor sincero tenho dentro de mim
Pra te dar, é só você querer e arriscar
Pois não é ilusão
Nem tampouco atração
É mais forte do que pode pensar

Não sabe o quanto
Já sofri por amor
Conheço bem essa dor
Que destrói, e causa insegurança demais

Pra você superar
Tem que uma chance se dar
E não Ter medo de se apaixonar
Deixa eu te amar


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Fim de relacionamento



A primeira vez que Anne entrou em um consultório psicológico foi após um termino de namoro. Aos prantos contou para a psicóloga o ocorrido e a mesma disse “Você não sabe lidar com perdas”. Sim, ela estava certa! Perda não era para Anne.

Durante dois meses Anne se dedicou de corpo e alma para um relacionamento diferente de todos vividos nesses seus quase 26 anos. Foi um relacionamento onde ela não queria no começo, mas teve que iniciar. Foi “sofrido” começar já que aquele tipo de romance nunca foi o que ela quis.

Com o tempo passando a moça se viu perdidamente apaixonada pelos conhecimentos adquiridos. Todos os dias alguma coisa a dizia que mesmo sendo dolorido ela estava no caminho certo. A paixão pelo curso que fez cresceu. Na verdade, nasceu. Nasceu porque durante 6 anos de curso Anne nunca sentiu o amor pelos livros de Direito.

De fato que esse relacionamento extremamente sério de Anne e os livros de Direito mudaram a vida dela.

Teve que abrir mão dos amigos, das saídas nos finais de semana, de boas noites de sonos, de vários hobbys, acordar cedo nos finais de semana para freqüentar o curso, se desligar do mundo.

Descobriu que era mais forte do que imaginava, mais inteligente do que pensava. Mais determinada do que diziam. Viu seus limites de perto. Superou medos, onde chorava quase todos os dias de medo. Venceu o cansaço. Descobriu quem estava do seu lado. Tomou decisões importantes. Viu-se decidida como jamais pensou. Teve inversões de prioridades em sua vida. Vivenciava todos os dias com a bipolaridade. Anne se superou e chegou perto de onde queria, contudo, não chegou onde gostaria.

O dia da prova chegou e ela foi fazer. Aquela prova seria 3º último passo para chegar a uma nova vida. Uma vida que há 8 anos atrás ela não queria e agora sabia que aquilo era o que queria.

Teve crise de pânico ao chegar ao local da prova onde tremia, suava, ficou viajante, respiração ofegante, queria sair correndo dali. Entregaram sua prova e simplesmente passou a crise de pânico. Bipolaridade, víamos todos os dias por aqui! Fez a prova, entregou e ao sair dali só queria sentar em um bar e tomar uma cerveja bem gelada e assim fez.

A companhia não podia ser melhor: seu irmão, sua prima e seu melhor amigo, todos seus grandes e maiores incentivadores. Anne bebeu algumas cervejas e começou sua declaração e choros. Ah esses bêbados...

Sai o gabarito e foi corrigir. Infelizmente não deu dessa vez, mas foi por pouco. Foi perto, bem pertinho.

Chorou que nem criança no colo da mãe. Não acreditava que todo seu esforço foi em vão. Dizia que nadou, nadou e ficou no mesmo lugar. Repudiava pelos sacrifícios que fez e foi em vão.

Sua mãe lhe deu um calmante e foi dormir. No meio da madrugada ela abre os olhos e diz: o que vou fazer agora da minha vida?

Geralmente essa pergunta ela se fazia quando alguma coisa tinha chegado ao fim e no fundo chegou. Toda uma rotina e no outro dia teria que adaptar novamente a antiga rotina. Mas ai que está: ela não queria mais a antiga rotina. Ela queria mais, ela queria continuar até conseguir o que queria. Sua teimosia fazia jus ao seu signo de touro.

Um não, não a satisfazia e ela ia continuar naquele relacionamento sério de estudos. Era aquilo que decidiu para a vida dela no momento. Era por um bom relacionamento que ela ia batalhar. E se fosse preciso fazer todo sacrifício que vez, fará novamente.


Heloísa Lugão

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A falta que faz um abraço, um carinho, uma boa palavra


E hoje, mais do que tudo Anne precisava de um abraço apertado, sentir uma mão segurando a sua, um carinho inesperado.

Medo. Anne só sentia medo hoje.

Ao acordar dirigiu-se ao seu irmão e pediu um abraço forte e apertado. Ele deu, contudo, ela queria mais.
Hoje ela só queria se sentir segura e está impossível de acontecer.

Heloísa Lugão

terça-feira, 8 de abril de 2014

A vida mudando, trazendo novos ventos...



Anne estava prestes a fazer uma prova que irá mudar sua vida, alias já estava mudando. Há menos de seis dias para essa prova Anne só sabia pensar em balanços, buscar equilíbrio, tranqüilidade e adquirir mais conhecimentos.

Ela já havia comentado com alguns amigos que ao sair daquela prova iria se sentar no primeiro bar que visse, pediria uma cerveja bem gelada para refrescar a mente e uma tequila bem forte para aliviar. Pediria também ao garçom para sentar-se e escutar suas lamúrias. Desta vez ela não iria falar de seus casos amorosos e sim da vida profissional.

Esse lado na vida da moça estava muito confuso até alguns meses. Ela não sabia se queria ser uma grande advogada ou uma nobre professora de português ou talvez uma simples psicóloga.

No final do ensino médio ainda não sabia o curso a se matricular até o dia que seu pai chegou em casa e disse que havia feito sua inscrição de vestibular em um curso de direito. Anne prestou o vestibular e passou. Seu pai a matriculou e ela simplesmente freqüentou o curso. Digo que freqüentou, pois ela nunca deu muita importância para o curso que fez “pelas coxas”. Para se ter uma idéia ela nem sabia que para virar uma advogada precisava passar pela prova da OAB, descobriu isso em meados do primeiro período.

Por diversas vezes durante as aulas ela parava e pensava “o que estou fazendo aqui?” e não encontrava uma resposta. Matava aulas para dormir, ir às baladas, namorar. Não estudava. O que a manteve durante os seis anos de faculdade (ela demorou pelo fato de ter reprovado em algumas matérias e ter trancado o curso) foram os colegas de classe e o fato do pai nunca admitir a troca de curso. Anne simplesmente freqüentou ao curso.

A moça conseguiu terminar o curso, contudo sem a carteira da OAB ela era um “Nada Jurídico”. Não encontrava um emprego bom e que a pagasse tão bem quanto diziam por ai. Aquilo a desmotivava mais ainda a dar seguimento na carreira jurídica, até que um dia ela conseguiu um estágio na área.

Ficou feliz já que iria trabalhar na área, porém sentia medo. Medo, porque durante todo seu curso não fez estágio e nem trabalhou em campo. Quando foi admitida chegou para sua chefe e disse “eu não sei nada, não tenho experiência nenhuma”. Do mesmo jeito foi admitida e começou a trabalhar em um excelente escritório de advocacia, regado de pessoas inteligentes e uma chefe que simplesmente a cobrava muito e a fez tomar gosto pelo Direito.

Naquele ambiente profissional Anne se sentia muito inteligente e com isso buscava cada vez mais aprender. Com isso e pelas milhares oportunidades que estavam aparecendo ela começou a ver que aquilo era o que queria para sua vida.

Diferente das outras mulheres Anne preferia ser chamada de inteligente a gostosa. Gostaria muito mais de ser conhecida pelos livros que leu, filmes que viu do que pelas baladas que freqüentou ou pelas roupas que usa.

Um de seus maiores desejos era não ser como seus pais no lado profissional. Sua mãe teve oportunidades, mas fez escolhas erradas. Seu pai não teve muitas oportunidades e nas poucas que teve também fez escolhas erradas.

Anne sempre se recordara de quando alguém a conhecia e perguntava o que estudava ou que fazia e ela dizia que era estudante de direito ou já era formada em direito e as pessoas faziam caras de como aquilo fosse a melhor coisa do mundo, ou coisa de gente inteligente, ou coisa de gente chique, Anne não entendia o glamour daquele curso até que...

Como estava fazendo um estágio, não estava conseguindo um emprego melhor sem a bendita carteira vermelha e sua chefe estava cobrando a mesma Anne decidiu na virada do ano que o ano de 2014 seria o seu ano profissional, que naquele ano que se iniciava ela iria se virar para mudar esse âmbito da sua vida. Setor no qual só dependia dela para ser mudado.

Começou a fazer um curso preparatório para a OAB onde suas aulas eram nos finais de semana. Pôr-se a abdicar as suas saídas na sexta-feira à noite e até mesmo a sua vida social. Saiu da academia, estava sem um corte no cabelo, sem unhas feitas (ela também não parava de roer as mesmas), profundas olheiras e uma sobrancelha enorme já estava sem tempo de ir ao salão, estava levando como podia.Estava cada vez mais constantes estudos em pleno sábado à noite. Durante os seis anos de faculdade ela nunca estudou em um sábado à noite. Durante todo o tempo de faculdade nunca estudou o quanto estava estudando naqueles últimos dias.

O mais engraçado de tudo é que apesar de tudo ela sabia que estava no caminho certo. Mesmo passando seus apertos, abrindo mão da vida social, dos finais de semana, ansiedade e nervoso tomando conta ela estava cada vez mais certa de que aquilo era o que queria para sua vida durante um bom tempo. Ela gostava dos ensinamentos adquiridos em saber que a cada estudo que finalizava se tornava um pouco mais inteligente.

Mesmo se não passasse nessa primeira prova ela sabia que não iria desistir. A palavra “não” nunca fui motivo para desistência para essa nobre mulher taurina que fazia jus em ser teimosa como é de característica de seu signo.

Estava decidida a querer mais, mais cursos e mais estudos. Estava feliz por tudo aquilo ainda que todos os dias chorasse de medo dessa prova. Ela sabia que isso era apenas o começo de uma nova fase da sua vida.

Heloísa Lugão


sexta-feira, 28 de março de 2014

Quando um amigo se apaixona


Anne sempre foi o tipo de menina que fazia amizades com muita facilidade, principalmente com os meninos. O jeito leve e brincalhona ajudavam a fazer amigos. Porém, nos últimos dias a moça alegre estava passando por uma situação nunca vivida e estava sem saber o que fazer: um amigo estava apaixonadinho por ela.
Eles se conheceram em um carnaval, se beijaram, mas depois ficou apenas na amizade. Uma amizade que ia crescendo cada vez mais, uma amizade que ela gostava muito e que se um dia fosse perder iria sentir muita falta.
O tempo foi passando e depois de um ano eles voltaram a se beijar em uma balada e depois a disso que a coisa foi ficando complicada. Ele estava cada vez mais próximo dela e deixava transparecer seu sentimento por ela através de gestos e atitudes. Ela estava desconfiada até que as amigas a alertaram para que tomasse uma atitude o quanto antes para não estragar a amizade. Desde então ela tinha certeza pelos sentimentos do menino.
Anne estava se sentindo perdida, sem saber o que fazer. Seu maior medo era e é perder a amizade daquele garoto de alma leve que passava paz para ela.
Ela gostava muito dele, contudo, era diferente do jeito que ele estava gostando dela.
Para ele, ela seria o topo dele. Ela é formada, ele não. Ela é mais velha. Gostam das mesmas coisas e tem vários amigos em comum. Só que Anne quer o mundo e ele o mundinho dele. Para ficar com ele a moça teria que abrir mão de muitas coisas. Ela era muito compreensiva e ele não muito. Ela está focada nos estudos e ele vive fazendo convites e até mesmo insistindo para ela ir a baladas com ele. Ele não entendia que o foco dela é outro. Ele não entende que entre os dois no momento é apenas amizade. Digo no momento porque amanhã tudo pode mudar. A vida muda, não é mesmo?!
Anne só queria tomar uma dose de coragem e de palavras certas para conversar com o garoto, só que não sabia em qual bar ou farmácia vendia a tal dose. Ela tinha quase toda a certeza que a amizade entre eles iria diminuir muito ou até mesmo acabar, todavia, ela não queria vê-lo sofrer. Muito menos por ela. Ele a fazia tão bem e ela não iria suportar o ver sofrendo.
Ela no momento só queria a tal dose e que isso não passasse de um mau entendimento da parte dele.  Ela precisava agir, só não sabe como.


Heloísa Lugão

sexta-feira, 21 de março de 2014

O email


No outro dia após o encontro com Pedro, Anne chegando ao trabalho checou seus emails e viu um email de Pedro:
“Anne,
Sei que te fiz muito mal e gostaria que soubesse que o jantar de ontem era uma forma para me desculpar, porém você não me deixou chegar a este ponto. Pegou as suas coisas e do nada foi embora, não me deixou explicar, pedir desculpas.
Enfim, gostaria muito de uma nova chance com você.
Beijos
Pedrinho”
Ao ler o email a moça só se lembrara dos que suas amigas lhe diziam “Calma, ele vai vir te procurar”. Lembrara também das inúmeras vezes que ela queria e esperava pelo aparecimento dele. Quantas vezes ficara esperando um sinalzinho se quer de fumaça. Agora já era tarde, não havia mais sentido.
O celular apitou e era uma mensagem de texto. Era Pedro desejando bom dia. Pedro raramente desejava bom dia a ela, só quando queria marcar território ou algo com ela. Logo após isso Fernando também mandou uma mensagem de texto a Anne desejando-lhe bom dia e lembrando que tinha adorado a visita surpresa na noite anterior.
Havia tantas diferenças entre Pedro e Fernando e a melhor delas é que Fernando  valoriza o tempo todo, Pedro precisou perder. Era por Fernando que Anne estava se encantando cada vez mais, o jeito sincero, divertido, a boa companhia e o melhor: ele não tinha vergonha de sair com ela e nem a escondia de nada e nem ninguém.
No fundo Anne ainda sentia alguma coisinha por Pedro, um restinho de nada, mas tinha, e quem a ajudou muito foi Fernando que mostrou outras coisas a ela.
Sem pensar duas vezes respondeu ao email.
“Pedro,
Não lhe peço desculpas pela minha saída de ontem, pois não me arrependi do que fiz. Estava tudo um tédio. Não sei, mas eu fiquei o tempo todo procurando o tal brilho que via em você e não achei.
Não estou falando isso porque estou com orgulho ferido e/ou porque quero parecer a difícil e fazer você pagar por tudo que me fez passar. Não vou fazer nada disso, até porque acho que a vida já está fazendo. Hoje você não me interessa.
Você não faz ideia do quanto que sofri e chorei por você. Você não sabe, mas parei de escutar Chico Buarque para não lembrar de você. Hoje em dia detesto samba, já que você é apaixonado. Não assisto mais lutas já que você é vidrado e já até lutou. Não vejo mais filmes policias porque sei que você adora. Não bebo mais cerveja, a sua bebida preferida. Não frequento aos lugares (poucos) que lembram você. Joguei fora as lingeries que você adorava. O vestido sexy que sempre me elogiava. Voltei a fumar e a beber wisk, já que você odeia. Voltei a usar o batom vermelho que você tanto julgava dizendo que era coisa de mulher da vida.
Você não tem noção do quanto vaguei por ai sozinha. Quantas amizades com os garçons já fiz neste tempo. Você não faz ideia dos pileques que tomei. De quantas vezes dormia e acordava chamando você.
Eu me apaixonei por uma pessoa que nunca existiu, existiu na minha mente, naquilo que eu achava que você era. Você mentiu pra mim o tempo todo. Você me escondia nunca me assumiu. Nunca saiu de mãos dadas comigo pela rua. Nunca me apresentou para um amigo seu. Sempre fui sua garante e nunca um bom sentimento pra você.
Quando você foi embora só me lamentava pelo o que perdia e hoje vejo que quem realmente perdeu foi você. Eu gostei de você de uma forma verdadeira e única. Sentia borboletas no estomago quando te via. Fazia de tudo para te agradar. Achava você único e aos poucos você foi se tornando mais um. Você perdeu a chance de ser feliz, de ter alguém que gostasse verdadeiramente de você.
Hoje olho, paro e penso sobre o Pedro e ao colocar na balança os defeitos e as qualidades só vejo defeitos. Seus erros foram demais para mim.
Não estou falando tudo isso para lhe ofender, apenas estou dizendo o que está acontecendo. A intenção e nem falar mais com você. Não é porque você me faz mal, mas você hoje é indiferente para mim. Você já foi o meu bem e hoje é um qualquer, sem diferença na minha vida.
Não vou dizer também que já não sinto mais nada, ainda sinto sim um sentimentozinho lá no fundo só que tudo que me fez passar é superior ao sentimento e tem gente me encantando cada vez mais por ai. Tem gente se fortalecendo nas suas falhas.
É finalizo por aqui dizendo que siga sua vida, seja feliz e que continue sumido da minha vida como estava até então. Não me venha com essa de sermos amigos uma vez que nunca fomos amigos e não seria agora que isso ia acontecer.
Apenas desejo sorte, felicidade e meus pêsames por você não ter valorizado alguém que gostou de você.
Desejo a felicidade que estou sentindo!
Ah não poderia esquecer: obrigada por ter sumido da minha vida e me dado à oportunidade de conhecer coisas novas, ser uma nova Anne e conhecer o meu novo Meu Bem.
Att,

Anne Andrade”


(cenas dos próximos capítulos)

Heloísa Lugão