Enfeite seu coração! Automaticamente estará enfeitando você! Heloísa Lugão

terça-feira, 8 de abril de 2014

A vida mudando, trazendo novos ventos...



Anne estava prestes a fazer uma prova que irá mudar sua vida, alias já estava mudando. Há menos de seis dias para essa prova Anne só sabia pensar em balanços, buscar equilíbrio, tranqüilidade e adquirir mais conhecimentos.

Ela já havia comentado com alguns amigos que ao sair daquela prova iria se sentar no primeiro bar que visse, pediria uma cerveja bem gelada para refrescar a mente e uma tequila bem forte para aliviar. Pediria também ao garçom para sentar-se e escutar suas lamúrias. Desta vez ela não iria falar de seus casos amorosos e sim da vida profissional.

Esse lado na vida da moça estava muito confuso até alguns meses. Ela não sabia se queria ser uma grande advogada ou uma nobre professora de português ou talvez uma simples psicóloga.

No final do ensino médio ainda não sabia o curso a se matricular até o dia que seu pai chegou em casa e disse que havia feito sua inscrição de vestibular em um curso de direito. Anne prestou o vestibular e passou. Seu pai a matriculou e ela simplesmente freqüentou o curso. Digo que freqüentou, pois ela nunca deu muita importância para o curso que fez “pelas coxas”. Para se ter uma idéia ela nem sabia que para virar uma advogada precisava passar pela prova da OAB, descobriu isso em meados do primeiro período.

Por diversas vezes durante as aulas ela parava e pensava “o que estou fazendo aqui?” e não encontrava uma resposta. Matava aulas para dormir, ir às baladas, namorar. Não estudava. O que a manteve durante os seis anos de faculdade (ela demorou pelo fato de ter reprovado em algumas matérias e ter trancado o curso) foram os colegas de classe e o fato do pai nunca admitir a troca de curso. Anne simplesmente freqüentou ao curso.

A moça conseguiu terminar o curso, contudo sem a carteira da OAB ela era um “Nada Jurídico”. Não encontrava um emprego bom e que a pagasse tão bem quanto diziam por ai. Aquilo a desmotivava mais ainda a dar seguimento na carreira jurídica, até que um dia ela conseguiu um estágio na área.

Ficou feliz já que iria trabalhar na área, porém sentia medo. Medo, porque durante todo seu curso não fez estágio e nem trabalhou em campo. Quando foi admitida chegou para sua chefe e disse “eu não sei nada, não tenho experiência nenhuma”. Do mesmo jeito foi admitida e começou a trabalhar em um excelente escritório de advocacia, regado de pessoas inteligentes e uma chefe que simplesmente a cobrava muito e a fez tomar gosto pelo Direito.

Naquele ambiente profissional Anne se sentia muito inteligente e com isso buscava cada vez mais aprender. Com isso e pelas milhares oportunidades que estavam aparecendo ela começou a ver que aquilo era o que queria para sua vida.

Diferente das outras mulheres Anne preferia ser chamada de inteligente a gostosa. Gostaria muito mais de ser conhecida pelos livros que leu, filmes que viu do que pelas baladas que freqüentou ou pelas roupas que usa.

Um de seus maiores desejos era não ser como seus pais no lado profissional. Sua mãe teve oportunidades, mas fez escolhas erradas. Seu pai não teve muitas oportunidades e nas poucas que teve também fez escolhas erradas.

Anne sempre se recordara de quando alguém a conhecia e perguntava o que estudava ou que fazia e ela dizia que era estudante de direito ou já era formada em direito e as pessoas faziam caras de como aquilo fosse a melhor coisa do mundo, ou coisa de gente inteligente, ou coisa de gente chique, Anne não entendia o glamour daquele curso até que...

Como estava fazendo um estágio, não estava conseguindo um emprego melhor sem a bendita carteira vermelha e sua chefe estava cobrando a mesma Anne decidiu na virada do ano que o ano de 2014 seria o seu ano profissional, que naquele ano que se iniciava ela iria se virar para mudar esse âmbito da sua vida. Setor no qual só dependia dela para ser mudado.

Começou a fazer um curso preparatório para a OAB onde suas aulas eram nos finais de semana. Pôr-se a abdicar as suas saídas na sexta-feira à noite e até mesmo a sua vida social. Saiu da academia, estava sem um corte no cabelo, sem unhas feitas (ela também não parava de roer as mesmas), profundas olheiras e uma sobrancelha enorme já estava sem tempo de ir ao salão, estava levando como podia.Estava cada vez mais constantes estudos em pleno sábado à noite. Durante os seis anos de faculdade ela nunca estudou em um sábado à noite. Durante todo o tempo de faculdade nunca estudou o quanto estava estudando naqueles últimos dias.

O mais engraçado de tudo é que apesar de tudo ela sabia que estava no caminho certo. Mesmo passando seus apertos, abrindo mão da vida social, dos finais de semana, ansiedade e nervoso tomando conta ela estava cada vez mais certa de que aquilo era o que queria para sua vida durante um bom tempo. Ela gostava dos ensinamentos adquiridos em saber que a cada estudo que finalizava se tornava um pouco mais inteligente.

Mesmo se não passasse nessa primeira prova ela sabia que não iria desistir. A palavra “não” nunca fui motivo para desistência para essa nobre mulher taurina que fazia jus em ser teimosa como é de característica de seu signo.

Estava decidida a querer mais, mais cursos e mais estudos. Estava feliz por tudo aquilo ainda que todos os dias chorasse de medo dessa prova. Ela sabia que isso era apenas o começo de uma nova fase da sua vida.

Heloísa Lugão


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